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Simplicidade diferenciada

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

A composição de cores, os contrastes e a imperfeição transformam essa casa em estilo rústico natural em um projeto único e fluido


Projeto @nischiarquitetura (Arquitetura) e @luizaleptich.arq (Interiores)


Para uma família que estava de mudança de uma casa alugada para um imóvel próprio, porém com metragem menor, o escritório Luiza Leptich Arquitetura procurou otimizar o espaço. O “coração” da casa está na sala, que é um grande salão com vários ambientes integrados: cozinha, sala de jantar, estante, sala de TV e salinha para ouvir música e receber amigos. Os cômodos estão distribuídos em volta desse centro - quartos e banheiros – e, acima da salinha, um mezanino. 



Espaços abertos e otimizados para receber o grande acervo de objetos e arte dos moradores.



Os moradores – um casal, ela psicanalista e ele atuando com marketing, e seu filho - são apaixonados por música, plantas e por um estilo vintage e mais rústico. A arquiteta Luiza explica que projetou alguns poucos detalhes industriais em serralheria (portas, janelas e porta rolo), e utilizou tijolo, concreto aparente e um acabamento “artesanal”, que mostra os “defeitos” dos materiais. “Ao mesmo tempo optamos por móveis de linhas modernas e atemporais. Não é uma casa séria, ela tem vida e abusa do conceito de espaços amplos, abertos, integrados e fluidos”, diz.



Pé direito alto foi valorizado com telhado com acabamento em madeira aparente.



Pedro Nischimura, da Nischi Arquitetura, responsável pelo projeto de arquitetura, conta que, durante a obra, surgiram algumas surpresas construtivas — como tijolos assentados em barro — que revelaram o valor histórico da edificação. “Nosso objetivo era criar espaços amplos e integrados, por isso demolimos as antigas salinhas e reutilizamos parte do entulho para nivelar o terreno, transformando a casa em uma residência térrea e plana. Também valorizamos o pé-direito alto existente, optando por um telhado com acabamento em madeira aparente, o que contribuiu para um ambiente mais acolhedor e com identidade”, afirma.




O brutalismo dos pisos em cimento queimado e pedras portuguesas contrasta com as cores vivas dos móveis e serralherias.



As escolhas do projeto arquitetônico, complementa Pedro, incorporam diversas soluções para garantir conforto térmico. O pé-direito elevado contribui para a melhor circulação do ar e redução do calor interno. A ventilação cruzada foi viabilizada graças à planta aberta, permitindo que o ar circule livremente entre os ambientes. Além disso, a casa conta com abundante iluminação natural, com aberturas bem posicionadas que favorecem a entrada de luz ao longo do dia, trazendo fluidez e leveza aos espaços internos.



O móvel amarelo com portas de vidro é o destaque da cozinha.



Na cozinha, por se tratar de uma área nova, Pedro explica que a opção foi construir com tijolos de concreto aparente, destacando visualmente essa nova intervenção. Além disso, o teto de vidro trouxe um toque de modernidade e leveza, criando um contraste intencional com o restante da construção e quebrando a lógica de uma casa convencional.

O imóvel possui120m² no pavimento inferior interno, mais 103m² de área externa e 18,45m² no mezanino. A marcenaria foi um complemento à casa. “Ela preencheu espaços onde ‘a casa pedia’, como paredes altas, utilizando estantes para dar mais proporção e, nos desníveis entre as salas, um banco, mesa e armários que proporcionam segurança, facilitam o uso e integram as duas salas”, comenta Luiza Leptich. 



No mezanino a multifuncionalidade: espaço funciona como sala de TV, espaço de trabalho e descanso, e também para receber amigos.



A estante do mezanino também trouxe o tom terracota já presente na casa na pintura das portas e janelas e no próprio tijolo. “A marcenaria nada mais foi do que uma continuação da casa”, completa a arquiteta. Sobre os revestimentos apenas o piso foi trocado, de um cimentado azul para um cimento queimado cinza. A opção por utilizar materiais aparentes, reduzindo a necessidade de acabamentos e, consequentemente, o uso excessivo de recursos construtivos, foi uma decisão sustentável do projeto de arquitetura, complementa Pedro.




O paisagismo foi refeito, a casa ganhou nova pintura externa e também foram substituídos os portões de carro e pedestres.



As cores dos materiais naturais e rústicos, como concreto, cimento queimado, tijolo aparente e madeira são acrescidas das cores vivas que remetem ao retrô, como vermelho no mezanino, amarelo na cozinha, rosa no sofá e azul claro no escritório. 

O principal desafio era conseguir aproveitar na casa nova todo o acervo dos proprietários, como livros, itens de decoração e muitos quadros. 




No quarto do garoto, a escada em marcenaria dá acesso ao mezanino.



Os quartos também eram muito menores do que os da casa antiga. Assim, nos dormitórios a arquiteta trabalhou com a marcenaria para otimização do espaço e espaços de armazenamento sob medida. “No quarto do filho, por exemplo, construímos uma escada. No escritório fizemos uma estante com espaço para trilho e escada de correr (do tipo de biblioteca). Para expor itens a mostra, fizemos muitas estantes e prateleiras, sendo o principal destaque a estante em marcenaria e serralheria da sala, que reúne livros, música, decorações, plantas, objetos de viagens, etc.”, enumera Luiza.




No quarto do casal, detalhes em azul e bom aproveitamento de espaço com a marcenaria e espaço para descanso e trabalho.

 


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